- sem título -

há tanta coisa acontecendo...
então, não se doa se eu sumi(r).

estou sumida até de mim.

sobre desenhar você

até quando desenho você
você é sobre mim

- sem título -

teu silêncio
que pratico profundamente
me lambe
ora frio
ora quente

desobrigada

porque no mundo,
no obrigado
não há abrigo pro prazer

pêlos

sempre quis ter pêlos
- até tê-los (os meus)
nunca quis ter pêlos
- até tê-los (os teus)

.

sucinta
só sinto

sinais

o melhor cara é aquele que
parece verde

chego perto,
ele amarela
- fico vermelha

estaciono à luz do desejo,
quero dizer,
num futuro escuro me
clareará
e será por mim iluminado

* o melhor cara já é meu

- sem título -

entra c'a delicadeza dos dedos
silen'cio...

- sem título -

me ganha naturalmente
arreganhand'os dentes

sorriso


- sem título -

abraç'o cão de dent'às vezes...
mord'o anjo, sangro ele.
aí me deito no anj'e sorrio, ele m'abençoa
e mat'o cão c'um beijo.

sem pressa

ando
devagar
divagando

notívaga







minha noite é quieta
solitária

longa noite vaga

- sem título -

não imaginava que tipo de força a matinha de pé. esperava o grito e não o ouvia; esperava a lágrima que não vinha. guardava a dor, solitária.

o verme crescia na garganta enquanto ela calava e a morte chegava devagar como solução para a traição - mil punhaladas com lâmina cega pelas costas. o sangue vivo no corpo morto, fervendo, pulsava mais branco que vermelho. e a vida, que deveria ser colorida, passava monocromática e sem dó de fazê-la flor despetalada.

eu, o frio e a noite e o dia

resolvi entregar meu corpo ao frio e ele foi o único que soube me aquecer esta noite. a luz, em sua ausência, destruiu todo o branco e tudo permaneceu negro e o negro foi completamente. fomos eu, o frio e a noite um só - un ménage à trois. não houve discriminação, não havia cor, não havia textura que pudesse se impedir, que não se pudesse tocar plenamente. e no escuro e sobre minha cama fomos iguais.

não dormi à noite; não pude. só a claridade, pra mostrar que cara tenho, assustou a noite que se foi com o frio, fazendo de mim pedaço de um todo, largando-me com o que, então, o espelho pôde revelar: alguém pior, à mercê das medidas que quiserem atribuir. jamais a noite se negaria a meus cabelos ou o frio a meus peitos ou à incertitude de uma madrugada disforme, posto que se fazia naquele quarto cárcere de vida qualquer coisa que jamais seria imagem e que me engolia a mim e a todos os meus lixos. o dia, ó dia, veio separatista, excluindo tudo de tudo, definindo um mundo de cores e formas delineadas em que, apesar de tudo, ninguém se vê mesmo.

s a u - d a - d e

d o - e u

l e n - t o

e m - m i m

v ê - l o

s o r- r i r - e

n ã o

s a - b e r

m a i s - a - b r a - ç á - l o

- sem título -

não sabe que alma é essa,
a que vestiu.
vestiu outra alma
- uma podre, velha e triste
alma.



- sem título -

nas línguas de todos os nossos beijos
letras intraduzidas introduzem
música cujas notas não estão
para pequeníssimos rodapés

nos enlaces de tantos beiços doidos
cad'estampido se faz incontido
e tudo qu'é mão passeia uns dois corpos
cujo desejo é musicado em ré

já nem uma linha jaz escondida
toda tesura que vem escarnifica
as nossas costas de sonho em unha

em meu útero o teu fluido ciranda
enquant'o coral de músculos canta
os versos soltos que um corpo compunha

- sem título -



se não der para ler, clique em cima do texto.

um dia lindo



como a imagem não está muito boa, para "vler" melhor, você clica sobre ela.

lembrança


a pia da cozinha tinha louça pela boca a lavar. cheguei para encostar meu prato e copo sujos do café da manhã apressado e vi ali, no canto esquerdo, um pote com goiabas velhas. lembrei da casa de vovó. goiabas e seu perfume... era impossível não sentir o cheiro da infância na casa de vovó alaíde - a casa das picuinhas, das brincadeiras de balanço, dos mil filas e gatos vira-latas, dos pés de goiaba: a família de orlando.

lavei as mãos. saí. mais tarde, quando alguém lembrar que aquelas três goiabas já passam do tempo, elas vão pr'o lixo ou viram suco.

esse testículo tava no les chemins du retour, um blog mais antigo do que esse aqui que eu tou desativando. vou postar algumas coisas de lá aqui.

sorriso


coloquei teu retrato
antigo na parede
grafitada o sorriso mais
suave gentil meigo numa
foto em preto e branco

a dor de
hoje não ofusca a
pureza no
olhar a
graça do recato óbvio

da última vez tive
vontade de lhe
fazer um
cafuné até que
dormisse



choraria em
contemplando a
face do sorriso que ainda
pintarei para
eternizar nos outros

porque é
eterno em mim o mesmo
torpor por qualquer um dos teus
mesmos sorrisos
mainha

nós desatando

de nós amarrados: tudo por uns fios das fibras rompidas, eis os restos de nós podres por todos os lados tantas linhas se soltando... a afeição desponta nas pontas que jamais se enroscarão em nós de novo
através do véu
pude ver nada além
só senti os meus cabelos
entre os dedos de alguém
enroscados
- no imaginário

verso

pain

a dor d'alguém
é sempre o pão d'outrem.

tá tudo complexo

no espelho, reflexo
na imag'em teu olho, convexo
no presente, o passado em anexo
na comparação, sexo
na palavra que não volta atrás, inexorável
num choro ou outro sem nexo
em dois em um desconexo

tá tudo complexo,
inexorcizável.

- fotopoema 2 -

fui!

- ó, ninguém mais fala
e nem se der sente,
então não se sente
qu'eu fechei a sala.

recuperando a sanidade

tirei a mente da tua mentira

e fiquei só com minha ira.
esqueci a ira e fiquei só
com a minha mente.

question

who
cares,

hookers?

- fotopoema -


foto: priscila lima
poema "cem negócios à parte" e stencil-art: wanessa dedoverde

'in'verso

photoshop

e nunca mais a punheta
louvou a mãe-natureza

- desculpem-me a ousadia.

poção fresca 2

abstraída

obstruída

pela feiúra
intocada
daquele frasco
de perfume
barato

poção fresca

pôs seu sorriso à sombra
que os dentes da outra faziam,
junto a seu ego e
quanquer uma outra faceta;
inclusive aquela que sugeria
a mulher.

- sem título -

j'ai bu
chaque mot
de ton esprit fou
et je me suis couché
ivre.

falando

fora da fortaleza,
protuberantemente,
tem vontade de provar saliva

falo da boca pra fora
falo da boca pra dentro

ALEGoRIA


Alegria:
Perfeita glória alegórica

entre nós

intocada,
a sobremesa
sobre a mesa
apodrece
enquanto o silêncio
conversa
sobretudo
sobre tudo.

- sem título -

não restará nada
aos urubus
senão comer
seus próprios olhos
- ansiosos, invejosos,
frustrados.

Liberdade


:

uma cela perdida entre os poros
de minhas mãos metafóricas.

a sós


sob os lençóis
dois sóis de calor e
uns nós de nós dois em um sobre o outro



persona(s)

tem duas de mim falando,
andando, fodendo, sorrindo...
e nenhuma delas é muito sã.

enquanto a extremista quebra tudo
e sai atrás de mais confusão,
a coitada chora
arrancando os cabelos.

a terceira dorme porque cansou
- e esta seria a razoável.

cem negócios à parte



vejo

tua alegria esconde uma amargura...
não conheço dos teus dias as rugas que se fizeram
e tu me vens com esse sorriso,
mas eu sei:
a tua dor é meio minha.


eu sei

haverá cura pra tua
alma

- se não há.

e descanso sem vazio
e um sol que não queima

- de só iluminar...